Foi mal, gente, não pude atualizar o blog nos últimos tempoas, mas já mando dois capítulos de uma tacada só pra amenizar =P
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Era noite, a luz da lua entrava pelas pequenas aberturas nas paredes, iluminando o interior arboresco e amarelo. A luz talvez até tornasse o ambiente um lugar bonito e feliz, não fossem os horrores que ali haviam ocorrido. O vento frio de Nörma entrava na sala, e carregava para longe o cheiro de couro queimado. A brisa fria fez com que as duas drags, que abraçavam-se no chão, acordassem.
-Meu senhor, o que nos aconteceu? – perguntou Calango.
-O garoto foi ao Portal de Edredön. Tudo faz sentido agora, só assim ele teria conseguido aquele Gnomo Luminoso.
-O que era aquilo, meu senhor?!
-Estúpida! Tantos anos sendo um GAY claramente lhe fizeram mal. Deveria ter adquirido mais conhecimentos e menos músculos.
-Não lembro de ter reclamado quando chegou aqui… – resmungou Calango em voz baixa.
-O que disse?! – gritou Saurun, com uma voz surpreendentemente máscula e rude.
-Nada, meu senhor… – a voz de Saurun havia causado arrepios em Calango.
-Bom. Ache-nos novas roupas, devemos sair em busca do meu precioso tesouro.
***
Ainda de mãos dadas, os três heróis procuravam um lugar para descansar pela noite. Andavam despreocupados, mas um vulto um pouco à frente os fez parar. Era Baldwhën, extremamente ferido, arrastando-se em sua direção.
- Pare sua…
Noé não teve tempo de terminar sua frase. Baldwhën caiu com a face ao chão, e desmaiou, o esforço para chegar até ali havia esgotado todas as energias que lhe restavam.
-O que devemos fazer? – perguntou Vëry.
-Vamos ajudá-lo, é o que Vitor faria – Noé não sabia o motivo de sua resposta, mas algo em seu coração o mandava ajudar aquele que antes conhecera como Gringa.
-Não temos lugar algum para ir Noé, – disse Hércules – não temos abrigo para a noite, e não podemos cuidar dele aqui. Saurun talvez acorde logo, e, pelo que me disse, estamos longe dos abrigos de Fabulando.
-Talvez eu possa ajudá-los.
A voz vinha do meio das árvores à sua esquerda, e dali saiu um Anão de pés gigantescos.
-Quem és tu?! – perguntou Hércules, colocando-se à frente do grupo.
-Sou Vader, a quem chamam de O Anão Desnudo. – todos notaram que, mesmo com o frio de Nörma, tudo o que o anão usava como roupa era um pedaço de pele que lhes cobriam as vergonhas, como chamavam na terra de Noé – Venham comigo, lhes darei abrigo pela noite, mas devem vir depressa.
-E por que deveríamos confiar em você? – disse Vëry
Mas nesse momento ouviram o bater de asas de uma galinha preta gigante. Saurun havia despertado, e estava alcançando-os.
-Sou sua única esperança agora.
Era tarde demais. Saurun e Calango pousaram violentamente ao seu lado.
-Malditas FAGs!!! – gritou Saurun, e raios negros como suas unhas foram lançadas contra os heróis.
Todos eles se desviaram como puderam, e notaram a destreza das esquivas de Vader.
-Grego… – disse Baldwhën à Hércules – largue-me ao chão, e pegue uma peguena bola prateada em meu cinto. Atire-a contra a ave, isso a matará,e lhes dará tempo para fugir.
Hércules soltou Baldwhën, pegou sua bola e se colocou à frente de todos. Sabia o que devia fazer.
-FAG idiota! – gritou Saurun para o Grego, em tom de riso.
-Eu sou um GAY! – gritou Hércules, e atirou a bola.
A bola brilhou e explodiu, matando a galinha e derrubando Saurun e Calango no chão. Ele sabia que não tinham muito tempo. Virou-se, pegou Baldwhën em seus braços e puxou seus dois amigos.
-Sigam-me! – gritou Vader.
E eles o seguiram floresta adentro. Era estranho um anão que se movesse bem assim entre as árvores, mas isso os mostrava como Vader era destemido. Enfim eles chegaram, depois de muitas trombadas e tropeços, à uma porta de pedra, inclinada para trás, com um caminho que descia aos pés de uma pequena montanha.
-Entrem. – disse o anão.
-Nunca havia notado essa montanha… – falou Vëry ao anão, que lhe despertava um estranho interesse.
-Esta é uma montanha pequena. As árvores dessa região crescem bastante, incrível, já que por aqui não temos água líquida. Baraz-kheled, o vidro vermelho, no antigo idioma da minha raça. Venham, minhas cavernas são pequenas, mas são seguras, e poderemos cuidar de Baldwhën.
Todos se espantaram por Vader já saber o nome do ferido que os acompanhava.
-Como sabe o nome dele? – perguntou Noé.
-Sei mais do que pensam, Noé, Vëry e Hércules. Sei seus nomes, mesmo que não os tenham me falado. Conheço Fabulando, o contador de histórias, e ele veio às minhas cavernas me falar de seus feitos, pouco depois que você havia deixado suas moradas. E sei sobre Baldwhën, outrora um grande alquimista. Mas acho que não o reconheceria se ele estivesse transformado. E sei também que, se levasse apenas mais um golpe do terrível demônio que soltaram sobre ele, ele morreria. Por sorte ele tomou uma poção que o fez parecer morto, e assim a monstra horrível, Vendaval, se satisfez, e foi-se, deixando-lhe vivo, mas debilitado. Talvez não tenham notado, ao sair de lá, que Baldwhën já não mais se encontrava no chão da moita.
Eles chegaram a um grande salão, que parecia ser o coração da montanha. A luz do Sol, que agora nascia, entrava por pequenos buracos de ar no teto do salão, e refletia em rubis que abrigavam-se nas paredes, fazendo a sala brilhar num vermelho vivo, que, para Vëry, fazia Vader parecer muito mais atraente. Os Salões eram repletos de colunas e arcos magníficos, que se encontravam em abóbadas simples e sem adornos. Todas as paredes tinham machados, espadas e escudos pendurados, e imagens em relevo contavam a história do grande pequeno povo que outrora havia morado ali.
Eles deitaram Baldwhën numa espécie de maca, e Vader derramou-lhe um líquido vermelho vivo na boca… isso fez com que Baldwhën acordasse. Ele se sentou atordoado, e viu todos os que estavam presentes.
-É bom vê-lo outra vez, Baldwhën, agora sem nenhum domínio maligno em seu coração – disse Vader.
-É um alívio vê-lo, velho amigo – respondeu Baldwhën. -Mas acho que devo algumas explicações à esses garotos.
Baldwhën contou-lhes que apenas nascera em Jerhussalëm, mas que vivera uma grande parte da sua vida em Portugal, e que crescera com Vitor. Contou-lhes que, em sua época no FAG, ele e Vitor tornaram-se inseparáveis, eram grandes amigos, e todos os outros se referiam à eles como “os companheiros”. Sua amizade era forte, e ele disse que Vitor lhe era muito querido, olhando para Noé. Noé sabia o que ele queria dizer, e mesmo com uma ponta de ciúme, sentiu compaixão por Baldwhën. Mas a amizade dos dois foi abalada quando Vitor decidiu guardar apenas para sí seu segredos, e disse a Baldwhën que teria um discípulo, e que apenas ele saberia esses segredos, e que os dois morariam sozinhos em seu castelo. Arrasado, Baldwhën achou conforto nos braços de Sauroman, e sua jornada no lado maléfico da alquimia começou.
-Me perdoem, garotos, por tudo o que fiz. Graças à vocês eu voltei ao bom caminho, e devo retornar à Portugal, ao castelo de minha família, e praticar meus poderes, até ter, eu também, o meu discípulo.
-Acho que devemos descansar agora. – disse Vader, e todos foram acomodar-se. Vader já sabia dessa história, e por isso arrumou camas para todos enquanto Baldwhën falava.
-Posso deitar-me com você, Baldwhën? – perguntou Noé.
-Sim, pode, pequeno.
Um lembrava ao outro de Vitor, e os dois passaram assim a noite, abraçados, como Vitor uma vez fez com cada um deles.
Vëry aproximou-se de Vader, enquanto Hércules cantarolava, distraído, em um canto do salão. O brilho vermelho que refletia nos olhos de Vader o encantava, e um sorriso de Noé o encorajara. Sentou-se na cama do anão, e olhando-lhe nos olhos disse:
-Posso dormir com você, Vader?
-Sai daqui, moleque! – gritou Vader irritado -Meu negócio é futebol!
Vëry saiu arrasado, mas não culpou Vader. Deveria ter percebido que ele não era FAG ou GAY, e não sabia que anões odeiam esse tipo de contato. Deitou-se e dormiu.
Eles viajariam de novo ao amanhecer do próximo dia, deixando Baldwhën sob os cuidados de Vader até que pudesse viajar para casa outra vez.
Todos dormiram o dia e a noite toda, estavam exaustos. Pouco antes de amanhecer o novo dia, Vader acordou, e preparou a refeição de todos. Carne de porco salgada e pão, e cerveja, ao melhor estilo dos anões. Todos acordaram e comeram, e prepararam suas malas.
- Agora devo dar-lhes os últimos conselhos. – disse Vader, enquanto subiam de volta ao portal de entrada – ao saírem daqui, rumem para o leste, até encontrarem o mar. Devo lhe dizer Hércules, que esse Anel de Couro que carrega é perigoso, deve levá-lo ao templo leste e lá o sacerdote lhes dirá seus próximos passos. Precisarão de toda a ajuda que puderem ter, por isso mandarei uma mensagem a um amigo, um grande guerreiro a quem chamam de Parthafat, que lhes ajudará. Boa sorte e boa viagem!
E os três amigos continuaram sua jornada. Seguiriam ao Templo Leste do deus Pedobear. Não sabiam onde estava Saurun, e o que ele planejava, e isso lhes assustava. De mãos dadas eles andaram. Noé ainda tinha o segredo de seu sacrifício, mas o tempo passava rápido demais, e conversas assim deveriam ser adiadas. Agora sabiam que não era vingança que Saurun procurava e o Anel de Couro tornara-se perigoso, precisavam descobrir qual era o próximo passo para garantir a paz em Nörma.