Capítulo VII – A Nau de Parthafat

O dia nascia em Nörma, e o Sol avermelhado que refletia no mar esquentava as areias brancas sob os pés dos hérois. Hércules cantava, enquanto Noé e Vëry saltitavam pelo caminho, e ao longe avistavam o Porto Leste de Nörma. Brilhavam vermelhos como fogo entre as areias alvas e o mar azul, destacava-se de longe. Nossos heróis agora chegavam perto, mais algumas horas de caminhada e poderiam procurar por Parthafat.


***


Na Torre de Barra-Dûra, Saurun planejava mais um ataque.

-Eles não podem alcançar o templo, Calango. – dizia o Senhor das Drags – nesse momento eles devem estar procurando por Parthafat, mas devemos nos livrar deles todos.
-Mas como, meu senhor? – indagou Calango.
-Aquela inútil da Rhéw está reunindo os orcs, essa missão eu darei à você, meu caro Calango. Vá aos Portos Negros de Mordida, lá encontrará Pagandos, o Mercenário Drag dos mares. Diga-o que ache Parthafat e que o mate, mas que me traga os garotos vivos. Seja breve, Calango, e não o deixe começar a falar, pois falará coisas sem sentido e não irá parar mais.
-Sim, meu senhor…- disse Calango, e levantou da cama, se vestiu e dirigiu-se aos Portos Negros da Terra Drag.

***

Perto da metade do dia nossos heróis chegaram ao Porto Leste, e ali começaram sua busca. Compraram uma garrafa de rum e saíram perguntando por Parthafat, mas ninguém lhes respondia, até avistarem uma garota. Usava os trajes piratas, mas em nada isso lhe fazia menos feminina. Em sua bandana estava estampada o símbolo dos Piratas, e saindo de sua bota percebia-se o cabo de uma faca.

-Vá, e pergunte à ela, Noé, ela saberá – disse Hércules
-Eu, não, não me rebaixarei à falar com “isso”. – notava-se um estranho desprezo na voz de Noé.
-Eu vou. – disse Vëry.
-Nós iremos junto, Vëry. – disse Hércules, puxando Noé pelo braço.

Se aproximaram da garota, e ela os olhou.

-O que querem?!
-Sabe onde posso encontrar Parthafat, o pirata?! – perguntou Vëry
-E quem quer saber? – ela perguntou.
-Nós, sua estúpida! – gritou Noé, mas mal terminou sua frase e foi atingido por um chute fortíssimo no rosto.
-FAGs, eu já devia saber. Quais seus nomes?! – ela perguntou, puxando sua espada.
-Não, acalme-se, – disse Vëry – meu amigo não quis lhe desrespeitar, sou Vëry, o Elfo, aquele é Noé e esse é Hércules, viemos de longe, e Vader nos disse que aqui encontraríamos Parthafat e ele nos ajudaria. Sabe onde posso encontrá-lo?

E a garota os olhou, pensativa. Seus olhos eram verdes e sérios, e trazia em si uma fúria que se despertada seria a ruína de muitos homens valentes. Finalmente ela disse:

-Sigam-me, e é bom que essa garrafa seja pra ele.

Eles a seguiram, e se espantaram de como todos desviavam de seu caminho e com a força que andava. Noé a invejou. Eles andaram até a ponta dos ancoradouros, e ali viram uma nau magnífica. O brilho de sua madeira misturava-se, ora vermelho e ora verde, com o mar e com a luz do Sol, e suas velas brilhavam num branco puro como as areias das praias de Nörma. E sentado num barril em frente ao barco estava um homem, ele era gordo, e seus ombros eram largos, o cabelo saia debaixo do chapéu. Ele sentava ali, com um bandolim em mãos, tocando canções numa língua que os heróis não conheciam, enquanto muitos outros homens agitavam copos e garrafas à sua frente.

-Melhor oferecerem logo a garrafa, – disse a garota – interromper seu canto irá irritá-lo.

E assim eles fizeram, pararam em frente ao pirata e lhe estenderam a garrafa.

-Eles desejam lhe falar, capitão. – disse a garota.
-Ah, sim – disse o pirata e logo gritou – PARA O BARCO SEUS CACHORROS SARNENTOS E INÚTEIS, TODOS AO TRABALHO!

Todos os homens que estava ali correram, deixando um banco ao lado do pirata e três à sua frente, enquanto o pirata pegava a garrafa de rum e bebia um gole.

-Eu sou Parthafat, o Pirata. Digam-me quem são e o que desejam!
-Eu sou Noé, esse é Vëry e aquele é Hércules, Vader e Orumé nos mandaram aqui para que nos ajudasse…

Noé parou de falar, pois percebeu que Parthafat olhava diretamente para a madeira de seu próprio navio, e claramente não lhe dava atenção. Mas a garota lhe chacoalhou os ombros e ele novamente se deu conta do que acontecia.

-Ahh, sim, sim, não digam mais nada. Vader me mandou mensagens. Espero que Nolyë não tenha sido rude demais com vocês, sabem como é, ela toma conta de mim. – todos fizeram cara de espanto, então Parthafat continuou – Essa é Nolyë, minha assistente e imediato*, minha aprendiz que um dia terá esse navio sob seu comando e conquistará todos os mares!

Ele deu mais um gole e olhou para a garrafa. Assim ficou por alguns minutos, até que Nolyë o chacoalhasse de novo.

-Ah, claro, subam no navio meus caros FAGs e GAY, não sou o único que lhes esperava, sigam-me aos meus aposentos.

Eles subiram na embarcação de Parthafat, e ali era ainda mais bonito. a madeira do chão era clara, e os beirais escuros.

-Lindo o Parthahouse, não? É.. venham.

E ele os levou pára um escritório,e o ambiente era incrivelmente claro ali dentro. Num ármario estavam várias garrafas cheias e pela metade de rum, e numa mesa ao centro rolavam várias vazias. Parthafat guardou a garrafa que os heróis lhe trouxeram, e pegou uma outra, de um tipo mais escuro de rum. E em um canto eles viram enormes pés se aproximando.

-Vader! – disseram juntos.
-Sim, aqui estou para desejar-lhes boa sorte, e advertir Parthafat. Caro amigo, soube que a nau de Pagandos foi vista em movimento, sabe o que isso significa?
-Sim, caro amigo, eu sei, Saurun chamou meu velho rival para me colocar em batalha. Agradeço que tenha saído de suas montanhas e se colocado em tão grande risco para me avisar.
-Sim, agora devo ir, Parthafat, e… ahh oi, Nolyë.. – disse Vader, erguendo seus olhos para a garota pirata, mas Parthafat lhe jogou um pedaço da madeira de sua mesa na cabeça de Vader, fazendo Nolyë rir.

***

No navio negro estava Pagandos e sua corja de bucaneiros drag, e eles velejavam ao encontro de Parthafat, enquanto Pagandos não se calava sobre teorias mirabolantes que nenhum dos seus subordinados podia entender, mas não se atreviam a discordar.

***

Vader se foi, e o navio zarpou do Porto Leste. Nolyë controlava o timão e gritava ordens, enquanto Parthafat olhava em todas as direções. Nesse momento Noé se aproximou dele e disse?

-Oi, Parthafat, tudo fixe?

Os olhos de Parthafat se encheram de uma fúria incontrolável, enquanto pegava Noé pelo pescoço e o atirava longe, e puxou sua espada, gritando:

-FIXE? FIXE? NÃO FALARÁ ASSIM NO MEU BARCO, SUA FAG MALDITA, E É BOM QUE CONTROLE ESSES SEUS IMPULSOS! – ele parou e foi ao timão, e Nolyë saiu de lá, e andou até onde Noé estava.
-Noooossa, quanta raiva, bem. Navio mais imbecil, esse. – disse Noé.
-IMBECIL É VOCÊ, FAG IMPRESTÁVEL! – gritou Nolyë enquanto Noé caía longe após levar mais um golpe.

Nolyë estava vermelha de raiva, quando ouviram um barulho no navio.

-É UMA EMBARCAÇÃO, À ESTIBORDO, PREPAREM-SE PARA LUTAR, SEUS MISERÁVEIS!!! JIRAYA SEU INÚTIL, TRAGA ESPADAS PRA ESSES GAROTOS!

Mas era uma embaracação pequena que havia batido ao lado da nau de Parthafat, e agora alguém subia pelo navio. Nolyë e Parthafat já estavam em posição para a luta. O Criado-de-bordo** de Parthafat, Jiraya, trouxe espadas para os heróis, e eles esperaram. O condutor da pequena embarcação misteriosa subiu no navio, e agora estava ali, coberto e abaixado.

-MOSTRE-SE, SEU INFELIZ, PARA QUE EU POSSA TE VER QUANDO TE MATAR! – gritou Parthafat.

O estranho retirou sua capa e a atirou no chão, e olhou diretamente para Noé, que gritou:

-VITOR?!?!?!?!



*Imediato é o cargo mais alto num navio, excluindo-se o de Capitão. Um imediato atende pelo capitão, e faz cumprir suas ordens, além de ter a obrigação de repartir todo valor conseguido pelos piratas de acordo com as leis do navio.

**Criado-de-Bordo é o cargo mais baixo do navio, dado provavelmente aos menos qualificados ou aos novatos, sua funçao primária era limpar os aposentos do Capitão, ajudar os cozinheiros e outras tarefas de menos importância. Ajudavam nos preparativos da batalha, mas de maneira alguma participavam dela.

Publicado em: às 06/08/2009 em 4:09 AM  Deixe um comentário  

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