Capítulo VIII – O Viajante Inesperado

-VITOR?!?!?!
-Noé, tudo fixe?!
-Vitor, quanta falta me fez todo esse… – começou Noé, mas foi interrompido.
-Você é Vitor, o Português? – perguntou Parthafat.
-Sim, – respondeu Vitor – eu sou Vitor, o Afeminado.

Parthafat nada disse por um bom tempo, até que Nolyë o chacoalhou. Ele guardou sua espada e disse, para a surpresa de todos:

-Siga-me Vitor, e vocês também, garotos. Nolyë, continue guiando o barco ao Leste, sempre atenta..
-Sim, Capitão – disse Nolyë – VOLTEM AO TRABALHO SEUS INÚTEIS, LEVANTEM A ÂNCORA!

Eles caminharam com Parthafat de volta ao mesmo escritório onde mais cedo haviam se encontrado com Vader. Tudo estava igual, menos o pedaço de mesa que Parthafat havia arrancado para atirar na cabeça de Vader, a mesa parecia ser a mesma, mas ela agora estava como nova. Parthafat pegou uma garrafa de rum para si, sentou-se e serviu cinco copos com o rum escuro. Todos o pegaram, mas apenas Parthafat bebeu mais que um gole, ele havia esquecido que rum era forte demais para FAGs.

-Noooossa, que troço ruim. – disse Noé, e Parthafat percebeu então que nenhum deles apreciou o rum que lhes fora servido.
-Não gostaram, é? – disse Parthafat gargalhando. – Havia me esquecido que FAGs e GAYs costumam achar rum forte demais. O que preferem beber, caros amigos?
-Acho que todos nós gostaríamos de coquetéis de frutas. – disse Vitor.
-Arr, acho que ninguém por aqui aprecia isso. Vejamos… – Parthafat andou até a porta e a abriu, gritando – JIRAYA! JIRAYA, SEU INÚTIL, VENHA AQUI!
-Sim, Capitão. – disse Jiraya, que correu ao chamado de Parthafat.
-Sei que você é o único por aqui que aprecia bebidas com frutas e coisas desse tipo, corra e traga aqui tudo que precisa para preparar bebidas aos meus convidados.
-Sim, Capitão. – respondeu Jiraya e se virou.
-Agora, perdoe-me, Vitor, mas serei sincero com você. -disse Parthafat sentando-se atrás de sua mesa novamente – o Código dos Piratas é claro em situações assim. Você, como um invasor, deveria ir à prancha nas proximidades de uma ilha, com apenas uma garrafa de água, uma arma e munições. Mas, – disse Parthafat, interrompendo Noé, que iria se manifestar – Vader disse-me que você talvez viria, só não imaginei que tivesse coragem de subir no meu barco desse jeito.

As portas se abriram, e ali estava Jiraya com muitas frutas e algumas garrafas em suas mãos. Parthafat olhou para Jiraya e todos notaram seus olhos enchendo-se de raiva.

-Desculpe-me, Capitão, mas além de a missão que me foi ordenado pelo senhor, trago recados de Nolyë.
-Diga logo, garoto, assim que preparar as bebidas de meus convidados.

***

Pagandos conduzia seu navio, gritando alucinadamente coisas loucas e nomes de grandes filósofos de Nörma. Os marinheiros mais fracos atiravam-se ao mar em desespero, tentando fugir desse mortal ataque.
Pagandos usava a sua técnica Teorias Alucinógenas, sua pior arte de ataque, enquanto remava ao seu destino. Dos aposentos do Capitão emanava uma energia escura sinistra, e lá estavam os cinco mais poderosos Drags de Mordida.

***

Jiraya fez drinques de Martini com frutas que todos adoraram, enquanto Parthafat, estranhando tudo isso, bebia de seu rum, abençoando cada gole.

-Meu senhor, Nolyë diz que avistou um navio de cor negra e muito brilhante, como se cheio de glitter, se aproximando. Mas apenas ela pode vê-lo, e sem o uso de uma luneta, enquanto os homens, mesmo com lunetas não conseguiram encontrar esse navio.
-Ela é minha aprendiz, todos vocês devem confiar nela. Ela não precisa de instrumento algum para ver coisa alguma. Vá e diga-lhe que não demorarei muito mais, que ela descubra se esse navio vem em nossa direção ou segue alguma outra rota, e que precisarei de um dos botes de fuga preparado assim que sair.

Jiraya saiu e Parthafat olhou fixamente para a mesa por alguns instantes.

-Senhores, eu sei que no meu navio não ficaram muito “à vontade”, já que aqui o comportamento de vocês é estranho. Porém, espero que sua estada aqui tenha sido boa, já que ela acabou. – Disse Parthafat, levantando-se e colocando um pequeno baú sobre a mesa.
-Mas, Parthafat, nós precisamos ir ao Templo Leste! – disse Vëry.
-Eu sei jovem FAG, – respondeu Parthafat – e por esse motivo lhes darei essa bússola antiga. Foi de um antigo amigo meu, que morreu no mar. Agora ela deverá levá-los ao Templo Leste. Mas perigos se aproximam e vocês deverão ir num bote de fuga até lá, para que evitem riscos e cumpram sua missão.

Eles saíram, e foram de volta ao timão, onde estava Nolyë. Ela apontou para seu capitão o lugar onde estava o bote de fuga, e eles andaram até lá. Vitor, Noé, Vëry e Hércules entraram no bote, enquanto alguns dos marinheiros de Parthafat jogavam ali provisões para esse, que agora era um grupo de quatro. Jiraya entregou a Hércules, de quem muito havia se afeiçoado, algumas garrafas dos drinques de frutas para a viagem.

-Rumem sempre para o leste, mas não deixem que esse bote desvie nem um grau dessa direção. O mar está calmo e tempestades não virão por esta noite, e isso não é mais do que vocês precisam para alcançar o Templo.

Os piratas levantaram o bote e o lançaram ao mar. Estava anoitecendo, e agora não estavam mais tão longe de seu destino.

-Cuidem-se meus amigos, e preparem-se. Sinto no vento do mar que más noticias se aproximam. Tomem cuidado! – disse Parthafat com seu chapéu em mãos.

Os heróis não entenderam muito do que ele dissera. Hércules ofereceu-se para guiar e vigiar o barco por um tempo, e Vëry ficou ali com ele, abraçados para escapar do frio, enquanto Noé e Vitor foram se deitar.

Parthafat virou-se e foi ao timão. Guiou o barco no sentido contrário. Algo não estava certo. Guiou em silêncio, enquanto Nolyë dava as ordens para a tripulação. Respirou fundo, e fechou os olhos, como fazia quando era mais jovem ao guiar o Parthahouse recém construído. Era estranho, mas ele não sabia o que acontecia quando fazia isso.

Os garotos e Vitor viram uma estranha luz vermelha e verde vinda de longe. Sabiam que eram as cores do Parthahouse, mas não sabiam que essa luz era o Parthahouse respondendo ao seu Capitão, reagindo às mãos que o construíram. E isso era algo que Nolyë não via há muitos anos, mas ainda era algo que lhe trazia uma felicidade sem medidas, na esperança de um dia o Parthahouse responder-lhe desse mesmo modo.

***

Orumé montava Au-au pelas praias de Nörma quando viu uma luz vermelha e verde vinda do horizonte, do mar. Sabia que não era de modo algum ameaçadora. Virou-se e entrou sob a proteção das árvores, mas um brilho lhe chamou a atenção. Um brilho que lhe mudaria para sempre…

Publicado em: às 15/08/2009 em 3:20 AM  Deixe um comentário  

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